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1ª lição: aprender a distinguir um jornalista de um psicólogo

Sexta-feira, 16.09.16

 

Há pouco foram os Panama Papers que despertaram a curiosodade dos portugueses. Quem aparecia na lista, em que paraíso fiscal, que voltas o dinheiro tinha dado para lá chegar, esses pormenores dignos de um filme de espionagem e conspirações. Estamos a falar de jornalismo, de informação de interesse público.

Agora anuncia-se um livro de um jornalista sobre a vida privada dos políticos, para não dizer explicitamente a vida sexual. Os portugueses vão correr para as livrarias, tal como os ingleses devoram os seus tablóides. Estamos a falar de entretenimento que se baseia no voyeurismo. 

 

Os políticos americanos têm fama mundial pelos seus escândalos sexuais. E na América é tudo dissecado, obrigam o político a explicar-se em público, ou seja, a mentir: Não fiz sexo com aquela senhora...

Os políticos ingleses também são famosos pelos seus deslizes sexuais, isso até inspira muitas séries televisivas.

Os políticos franceses, esses têm um savoir faire que transforma os escândalos em simples indiscrições.

Mas em Portugal?! É estranho imaginar os políticos portugueses com uma vida sexual suficientemente interessante para ir parar ao livro de José António Saraiva, com o título pomposo Eu e os políticos e ainda por cima apresentado pelo anterior PM...

 

Se o livro se baseia nas confidências dos políticos ao jornalista, não se podem agora queixar de ver essa informação no livro. Quem é que se lembra de dar informações sobre aventuras secretas a jornalistas?

Não viram filmes suficientes sobre a tentação jornalística de divulgar informação privilegiada e quanto mais picante melhor? Esse tema até deu excelentes comédias americanas.

 

Portugal está a tornar-se num país bem animado. Subitamente este Verão tudo quer falar sobre a sua vida privada. Parecem picados pelo soro da verdade, e haja ouvintes com paciência para os ouvir.

 

Serão estas confidências que nos revelam o seu carácter, os seus valores, o seu sentido de responsabilidade, a sua competência e imparcialidade?

Para já, a única informação útil a registar é que não conseguem distinguir um jornalista de um psicólogo.

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:11

A agitação jornalística e comentarista

Segunda-feira, 15.02.10

 

O ambiente já se agitou, ele é antenas abertas, fóruns populares, questionários, se quiser Pedro Passos Coelho ligue o número, ouço a voz ofegante da apresentadora... e a repetição da opinião do oráculo de domingo, que não avança e que neste momento só confunde e empata.

E não é só o oráculo a confundir e a empatar, são os jornalistas e os comentadores de serviço, onde é que eu já vi isto?, e tudo isto porquê?

Eu explico: Paulo Rangel teve a ousadia de se candidatar à liferança do PSD.

É por isso que ouço esta frase foleira a uma jornalista, onde nem aqueceu o lugar... Isto é frase que se diga? Céus!

 

Bem, vamos todos é respirar fundo e observar de forma distanciada. Para isso temos de baixar o som da televisão e do rádio sempre que se aproximar algum jornalista agitado ou comentador efervescente.

 

Primeiro ponto: onde é que a candidatura de Paulo Rangel é semelhante à de Aguiar Branco?

Segundo ponto: Já constatei que a candidatura de Passos Coelho é a preferida da generalidade dos jornalistas e dos comentadores de serviço.

Terceiro ponto: Também alguma coisa me diz, mas é só uma intuição, que Paulo Rangel é o preferido dos potenciais eleitores do PSD.

Quarto ponto: Se o oráculo gostava assim tanto de se candidatar, e se os eleitores o preferiam cono nos diz uma jornalista baseada não sei em quê, porque não avança?

Quinto ponto: A primeira coisa que se perdeu nestes anos mais recentes foi a educação básica, o respeito pelo outro nosso semelhante. A segunda, foi a capacidade de observar e reflectir, pela sua própria cabeça, e falar na sua vez. E tudo isto alimentado nas televisões e nos diversos programas de comentário político.

 

As três candidaturas têm o seu espaço e o seu grupo de afinidades no PSD e não se cruzam neste momento.

Pedir a um qualquer candidato que se afaste? A que propósito?

São filosofias de base diferentes, posturas diferentes, estilos diferentes, e perfis completamente diferentes.

Então há uns tempos que não havia ninguém no PSD, agora queixam-se por haver a mais? Decidam-se.

 

A minha opinião pessoal? Sim, adivinharam: Paulo Rangel.

O perfil adequado para uma liderança inteligente, dinâmica, com um propósito claro e bem definido, e que mobiliza vontades.

Mais do que consensos que só dão lugar à existência dos empatas de serviço, é preciso clarificar as posições e os objectivos, o que se quer para o PSD e para o país.

 

Quanto à agitação dos jornalistas e dos comentadores televisivos e radiofónicos, é só uma questão de não os levar muito a sério. Nada de fidedigno nasce da agitação. O que vale a pena nasce sempre da reflexão. Mas, claro!, tudo isto faz parte de uma sociedade em que tudo é tratado como um produto de consumo, em que não há valores ou referências acima de audiências e de outros interesses situacionistas.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:32

A importância da blogosfera

Segunda-feira, 08.02.10

 

Pelo que observo no país, a blogosfera é hoje o espaço onde se encontra a informação mais fidedigna  e onde se pode trocar ideias e opiniões.

É essa, a meu ver, a dimensão da sua importância, sobretudo num país onde a liberdade deixou há muito de ser um valor defendido e respeitado.

 

Esta última iniciativa de uma parte significativa da blogosfera, de lançar e divulgar a Petição "Todos pela Liberdade", é um exemplo da sua intervenção cívica. Numa democracia fragilizada como a nossa, esta é a dimensão da sua importância.

 

Num sistema que deixou de funcionar, onde as instituições-chave já perderam a credibilidade, onde falhou a "so called" separação de poderes, o tal equilíbrio necessário para o sistema democrático funcionar, onde qualquer governante mais "determinado" pode chegar e manipular a informação, porque o sistema o permite (não tem defesas nem travões), esta é a dimensão da sua importância.

 

Pode agora a generalidade da imprensa ou a generalidade dos jornalistas e comentadores televisivos vir negar o seu servilismo nestes últimos anos, que não pega. Simplesmente fizeram o que lhes mandaram: alimentar e manter a ficção nacional.

 

Pode agora o PS bradar que há vozes independentes que nunca foram cúmplices da situação a que isto chegou, que não pega. Nostálgicos ou modernaços, foram todos na onda, de forma absolutamente acrítica, de forma absolutamente conformista.

 

Quanto ao Presidente, que optou pela "cooperação estratégica" com um governo de maioria absoluta na altura, e que já revelava a tal sede de poder insaciável, que já atropelava direitos fundamentais da democracia, que nos embalava com propaganda governamental desligada da realidade, bem pode dirigir-se de novo ao País, com ar preocupado ou com sorriso de circunstância, que esteve sempre atento, que a democracia funciona, que já não pega.

 

E não pega também o discurso de parte da oposição partidária, que teve a oportunidade de defender a proposta que nos levou a votar neles, e acabaram a viabilizar este orçamento de estado.

 

Também os eleitores que voltaram a apostar nesta ficção, nesta proposta suicidária, bem podem em breve vir queixar-se que não sabiam, que ouviam os noticiários na televisão, que também não pega. Aliás, não estranharam que lhes tirassem do écran a Manuela que era tão popular?, o telejornal da TVI que batia todas as audiências? Não estranharam?

 

Não, não se trata apenas de um PM ou de um governo, trata-se de todo um sistema e de um regime que falhou. Completamente. Isso está à vista.

Qualquer "determinado" o pode manipular, usar e perverter.

Qualquer arrivista pode ter uma máquina de profissionais bem treinados ao seu serviço, e manipular informação, propaganda, jornais, televisões, dominar empresas públicas, até bancos, e as instituições-chave da democracia. 

Um sistema assim não serve a democracia.

 

O que está em causa é muito mais do que a liberdade de expressão, e é muito mais do que um PM ou um governo, mas tem de se começar por algum lado.

É por isso que estou com os bloggers e cidadãos que se irão manifestar em Lisboa na próxima 5ª feira, dia 11. 

Sim, esta é a dimensão da importância da blogosfera, sobretudo num país fragilizado como o nosso, economicamente, socialmente, moralmente.

 

 

 

O Estado de Direito falhou: Vejam ao estado a que chegámos. Foi preciso a sociedade civil reagir para ouvirmos algumas vozes até agora caladas e cúmplices. Alguns modernaços do PS; dois Conselheiros de Estado; o próprio PM a zurzir contra jornalistas e oposição...

Quem mais se seguirá? Alguém da Justiça? O ministro? O Procurador Geral?

 

 

E não é só isso: Nunca saberíamos nada de nada se o segredo de Justiça não fosse violado... Ao que nós chegámos. Mesmo que não se faça nada, porque nunca há consequências, mas... pelo menos ficamos a conhecer o making of da telenovela.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 23:40








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